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Castração x Comportamento Canino

Atualizado: 18 de Jul de 2019



O presente tema tem como objetivo analisar de forma rápida a relação entre: Comportamento Canino x Castração Canina numa ótica da Psicologia Animal sem o viés biológico- médico- veterinário. Não se trata aqui de abordar as vantagens, desvantagens, questões fisiológicas, consequências pós- operatórias, indicações clínicas, ou cuidados da castração. Trata se apenas da análise comportamental e relação hormonal. Muitas vezes nos perguntam se castrar um cão irá melhorar quanto a alguns problemas de comportamento canino, tais como: marcação de território com xixi, redução de agressividade, redução de fugas, latição excessiva, redução de dominância, etc. Ao longo de muitos anos, nós que trabalhamos no dia a dia, com Comportamento Canino, Psicologia Animal e Adestramento, percebemos que a castração não tem relação concreta com a diminuição ou contribuição para a melhoria do comportamento de um animal. Segundo nossos dados de acompanhamento a cerca dos cães já castrados, muitos pacientes que nos procuram, cerca de 80% do total, já foram castrados ou esterilizados antes, tanto macho quanto fêmea, seja de qualquer idade ou de qualquer raça. E ainda preservam problemas de comportamento canino, como: marcação de território com xixi, fugas, agressividade, dominância, dentre outros problemas.


Tal observação prática, quanto a evolução do comportamento antes, e depois da esterilização animal evidencia que a castração, ou alteração hormonal não tem relação alguma com demandas comportamentais. A explicação para isso é que estas demandas são de origem psicológicas e não fisiológicas, o que não podem ser confundidas. O apesar de ser dividido a opinião por diversos profissionais da área no mundo todo, é ainda fonte de tabus, mitos e de diversas dúvidas à respeito. E através da nossa experiência em comportamento animal, juntamente com alguns estudos científicos, vamos tentar esclarecer as dúvidas mais frequentes e apresentar evidências científicas.

Como exemplo citaremos o resumo de um recente estudo tese de doutorado em medicina veterinária e zootecnia da USP, CASTILHOS, L. R. de. Concentrações séricas de testosterona e agressividade em cães. [Serum testosterone concentration and dogs’ aggressiveness]. 2006. 113 f. Tese (Doutorado em Medicina Veterinária) – Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.


Onde teve como objetivo avaliar se as raças de cães popularmente consideradas agressivas apresentam maiores níveis circulantes de testosterona que as raças consideradas dóceis ou afáveis. Discutindo os tipos de comportamento agressivo em que a presença de maiores níveis desse andrógeno poderia determinar uma maior predisposição à manifestação da agressividade.


Foram utilizados 217 animais adultos, sendo 113 machos e 104 fêmeas, com idade entre um e 10 anos, que foram divididos em dois grupos distintos: grupo agressivo representados por cinco raças que apresentam agressividade alta a muito alta (Rottweiler, Bull Terrier, Pit Bull, Pastor Alemão e Fila Brasileiro) e grupo não agressivo representada por seis raças que apresentam agressividade baixa a moderada (Labrador, Golden Retriever, Beagle, Bulldog Inglês, Poodle e Cocker).

Após colheita de sangue e preparo das amostras, as concentrações séricas de testosterona foram determinadas por meio de Radioimunoensaio (RIE), no Laboratório de Dosagens Hormonais (LDH), FMVZ-USP. Os testes estatísticos foram realizados utilizando-se o programa computacional Statististical Analysis System (SAS).


Não houve diferença significativa entre as concentrações séricas de testosterona entre cães de um a oito anos de idade, nem entre cães de raças. Concluiu-se que a concentração sérica de testosterona não pode ser utilizada como preditora do comportamento agressivo de raças Rottweiler, Bull Terrier, Pit Bull, Pastor Alemão e Fila Brasileiro. É importante a divulgação e conscientização da população sobre posse responsável. Testes similares a este também foram realizados em outros países para avaliar a relação entre castração e longevidade dos indivíduos e não não foram constatados prova científica de que aumentaria a longevidade. Testes para avaliar aspectos relacionados à obediência, agitação, ansiedade, e compulsão canina também foram realizados entre os cães quanto a castração, alterações hormonais e não foram detectados nenhuma correlação significativa. Dúvidas frequentes: 1. Cães que já foram castrados melhoram a agressividade? Resposta: Não. Sendo um transtorno mental, somente com psicoterapia via Psicologia Animal poderá ser tratado, pois não há correlação entre comportamento e castração. Conforme evidências cientificas apresentadas, não há correlação significativa, entre alterações hormonais e agressividade, apenas se houver disputa para uma fêmea no cio entre os machos. 2. Castração reduz fugas? Resposta: Depende. Apenas quando houver uma fêmea no cio poderá motivar a fuga do animal macho atrás da mesma. Neste ponto a castração evitará a fuga. Em outras ocasiões não há motivação.

A maioria das fugas, inclusive em cães já castrados são motivadas por demandas psicológicas tais como: insatisfação, rejeição, medo, dentre outros. Portanto a castração não irá interferir na redução das fugas nestes casos específicos de causa psicológica. 3. Castração reduz ou elimina a marcação de território com xixi? Resposta: Não. Apesar da parecer algo polêmico, porém só quem lida diariamente com comportamento canino pode ter uma compreensão melhor.

Muitos cães já castrados, continuam marcando território e cães não castrados muitas vezes não marcam território, independente do gênero, ou idade. Ou seja não uma co-relação direta com hormônios pelo ato em si, considerando que o mesmo faz parte da comunicação canina. A pesar de quê os cães quando disputam o cio tendem a marcar mais o território.


Ao longo da vida do animal, ele pode variar esse hábito de demarcar território, o que coincide, às vezes, como o momento da castração, e causa essa confusão pelas pessoas, de achar que foi pela castração que motivou a redução. Tal característica pode ser acentuada quando há uma fêmea no cio no local do macho, e este poderá demarcar mais território, nestas ocasiões, ou não necessariamente.

Tanto os machos quanto as fêmeas podem marcar território por excesso de dominância, que não tem relação hormonal e sim comportamental e de comunicação olfativa. 4. Cães castrados reduzem o nível de dominância? Resposta: Não. A dominância é uma característica canina instintiva e não tem relação hormonal. Logo não há alteração com esterilização do animal. Independe da idade, gênero, raça, e dos hormônios. 5. Os cães ficam mais obedientes quando são castrados? Resposta: Não. Não há alteração da obediência em função da castração. A obediência tem características psicológicas e não fisiológicas. 6. Cães castrados são menos agitados ou menos ansiosos? Resposta: Não. Segundo estudos científicos, não há redução de compulsão canina, ansiedade, ou agitação em função da esterilização hormonal. 7. Aumenta a longevidade? Resposta: Apenas quando for para tratar uma patologia aumentará a chance de sobrevida. Caso não haja patologia a castração preventiva não irá aumentar a longevidade, segundo estudos científicos. 8. Previne câncer? Resposta: Sim. A castração previne e trata a incidência de diversos tipos de câncer e neoplasias. E quanto mais cedo for realizada maior a taxa de eficácia, segundo estudos científicos. 9. A castração previne a superpopulação? Resposta: Sim. Ajuda de forma importante no controle da natalidade de cães no mundo todo, principalmente de cães de rua. 10. O cão ficará mais sedentário com a castração ou menos ativo? Resposta: Tudo depende da rotina do animal, alterações metabólicas, e dieta com alimentação equilibrada para evitar a obesidade e melhorar a disposição no dia a dia.


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Autor: PCS - Adestramento de Cães Salvador (Psicologia Animal e Adestramento) www.adestramentodecaessalvador.com.br

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